Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (2023)

Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (1)

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Os emboabas andam sumidos. Eram tantos, centenas, descendo a rua, tão sorridentes, brandindo alegorias em vez de armas. E Nabucodonosor, que todo ano desfilava sua majestade na Avenida, por onde anda? Não me diga que ele virou casaca e agora sai na ala das baianas.

E que fim levou Maurício de Nassau, esse sumido – depois de tanta homenagem, deu no pé, o ingrato? Os etruscos de braços dados com os assírios? De Zumbi dos Palmares sou testemunha de que continua firmão. Se houvesse uma contagem do personagem mais presente nos sambas-enredo, Zumbi humilharia.

E por que as escolas correm tanto? Esperam o ano inteiro para desfilar e, quando chega a hora, essa pressa, é passista parecendo velocista, surdo apostando corrida com repinique, puxador atropelando Velha Guarda.

Outra coisa que parece ter saído de moda é o “Ôôôôôôô”. Era um coro tão bonito, ao mesmo tempo que um alívio para os turistas que não sabiam a letra de cor. Alô, ala dos compositores, tem que ver isso aí.

E havia tanto esplendor. Quanto esplendor! Onde foi parar? Virou a Transamazônica, um condomínio de luxo, algo que se compra no Freeshop ou as cinco toneladas de ácido por dia despejados nos rios mataram todo o esplendor?

Será que os gramáticos que reformaram as regras do português debateram a inclusão do “i” em “fascinante”? No Carnaval, está consagrada a forma “faiscinante”. Combina com faísca, fica bacana assim. Mas os gramáticos não são foliões, não acharam graça na coisa. Estavam muito sérios e ocupados em tirar o acento de “ideia”. Uma ideia infeliz, como foi infeliz minha ideia há muitos Carnavais, de abraçar a menina que já tinha namorado e o tempo no salão fechou feio.

As coisas pareciam mais fulgurantes, retumbantes. Ou era efeito do lança? Agora, a arquibancada só se levanta para poder ver melhor a rainha da bateria – alguma personalidade que há pouco estava no camarote da Brahma, dando entrevista na televisão, abraçada ao empresário de sucesso. Mas olha a parte boa: a quarta de cinzas não é mais o dia da tristeza mais triste do mundo.

No entanto, emboabas, etruscos, egípcios, mascates e pastoras, ainda há Carnaval. Enquanto houver um estandarte, um confete no ar e um sorriso, há Carnaval. E toda crítica não resiste à alegria do varredor da rua sambando com a vassoura.

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6 Comments

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  1. Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (3)

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Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (9)

– Alô?

– Boa taaaaarde!

– Nossa. Que entusiasmo.

– Mas há motivo para isso: este contato é para informar que o senhor foi selecionado entre um grupo de pessoas especiais para fazer parte de…

– Poxa, que ótimo. Nunca fui selecionado para nada: nem para tocar na banca do colégio, nem escolhido para jogar no time da rua. Para ser franco, nem entre meus sete irmãos eu era o elegido por mamãe (que Deus a tenha). Finalmente, chegou meu dia.

– Então, senhor: agora, você, como uma pessoa especial…

– Especial! Eu sabia. Bem que uma menina me disse uma vez que eu era especial. Mas faz tanto tempo, e não deu em nada: sempre fui muito tímido, e um sujeito atirado lá do nosso bairro se declarou logo para ela, o cachorrão.

– Sei. Mas eu dizia: você, como uma pessoa única, agora faz parte do nosso Clube Estrela.

– Estrela?

– Isso mesmo: um mundo de benefícios e vantagens. Crédito automático, cartão de compras exclusivo, acesso a salas VIP nos principais aeroportos e concierge exclusiva – e você não paga nada na primeira anuidade!

– Sei. E na segunda, terceira, quarta anuidade?

– É… bem… vou checar a informação. Um momentinho. Mas não desligue: sua ligação é muito importante para nós.

(Video) Clarice Lispector, 100 years

– Agora fiquei confuso: importante sou eu ou é a ligação?

Após alguns segundos:

– Seu Edivaldo: eu chequei com nosso departamento comercial, e eles me informaram…

– Edivaldo? Mas meu nome é Márcio.

– Márcio? Não é o senhor Edivaldo Bastos Louzada falando?

– Não.

– Não tem nenhum Edivaldo Bastos Louzada nesse endereço?

– Olha, ter, tinha: o antigo morador. Mas ele foi transferido pela empresa para João Pessoa, e o apartamento foi alugado para outra pessoa – no caso, eu.

– Ah, desculpe-nos pelo engano. Hoje, pela manhã, o sistema saiu do ar, provavelmente foi um mal-entendido.

– Quer dizer que não sou especial, não fui selecionado, nem esta ligação é muito importante para vocês?

– Não diga isso, senhor Edivaldo.

– Márcio.

– Isso, isso, claro: Márcio. Desculpa, senhor Márcio. Porque você ainda pode fazer parte do nosso Clube Privilège. É só se cadastrar no site dábliu, dábliu, dábliu, ponto, clubeprivilege (assim, tudo junto), ponto, com, ponto, br que, como uma pessoa especial, única, selecionada, na primeira mensalidade você já passa a ter direito a inúmeros benefícios. É sua chance de ser reconhecido como merece, senhor Edivaldo!

– Desisto.

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Cássio Zanatta

Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (10)

Published

1 ano ago

on

28/09/2021

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Redação

Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (11)

Parem de se preocupar com a heroína da novela, que só faz sofrer e sofrer; deixem de enlouquecer com discussões políticas; desistam da constrangedora corrida para tentar alcançar o ônibus; de se afligir com as regras da crase e o preço das hortaliças. Pois algo mais grave acontece no país: a chuva esqueceu como faz para chover.

Estão reunidas todas as condições: o mormaço, o ar parado – quando o mundo vira uma grande fotografia –, as nuvens carregadas, escuras, cheias de ameaças. Os calos dos velhos doem, os cachorros se escondem e as roupas no varal são recolhidas. O vento desarranja os cabelos e assanha a esperança. Na padaria, alguém comenta “vai chover”. Na calçada, alguém passa olhando para o alto, murmurando “vai chover”. E nada.

A gente jura que vem aguaceiro de lavar corpo e alma, e no fim caem (quando caem) exatos 179 pingos sonsos de tudo. Cinco minutos de algo que esperamos semanas para acontecer. Dizem que choveu mesmo para os lados do Sítio Novo. Mas aí a gente pergunta pro povo de lá e ele diz que choveu nada, que foi brabo mesmo para os lados do Barreirinho. Mas no Barreirinho está aquela secura, o nível dos açudes está baixo e os homens que vivem da terra se afligem.

Outro dia vi uma cena estranha: não teve chuva, mas teve arco-íris. Cansou de esperar pelas gotas de água para acontecer, e se fez no ar seco, meio desbotado, sem graça, vê se pode. Aí a avó da gente diz que está tudo mudado, muito estranho, que, olha, sei não, a coisa não era assim, e a gente acha que é exagero.

O corguinho secou, o mato está que é só palha. Não sou entendido, mas posso apostar que aí tem o dedo do homem. Alguma ele aprontou: na Amazônia, na estupidez das queimadas, na poluição dos rios que vem causando essa desistência das chuvas. O homem não pode ver algo bonito, funcionando direitinho, que logo quer derrubar, ter, consumir, dominar. E o que dói é saber que o homem sou eu, você, fazemos parte dessa espécie aí, que vem fazendo bobagem há milhares de anos.

E nada de chuva. Imagino a chegada e o encontro das nuvens (saudade de ouvir um trovão), necessárias para que haja a precipitação, mas aí uma disfarça, põe a mão no queixo, coça a cabeça, enquanto a outra folheia apressadamente o manual de instruções, e, nessa indecisão, o vento as afasta e a chuva é adiada. Para desaponto e preocupação geral.

Tive uma ideia: vou sair para caminhar. Quem sabe isso desafie a chuva a cair, e divirta a danada a me descobrir no meio de um descampado, me ensopando todo. Assumo o fardo. O que a gente não faz pelo bem da humanidade.

Rezemos então para que dê um estalo na cabeça das nuvens – “claro, era isso!” – e elas se lembrem de como faz. E se juntem, para que chova canivete, chova a cântaros, cats and dogs e todos os lugares-comuns possíveis. Água bastante para empoçar a terra, apagar as queimadas, limpar o ar, saciar as plantas e os bichos, e trazer paz aos homens.

(Video) Secretos de CIUDAD DEL VATICANO: curiosidades, riqueza, conspiraciones, exorcismos

Menos à pobre da heroína da novela, que só sabe sofrer e sofrer com tanta desgraça na sua vida. Essa, não tem jeito. Nem com o dilúvio universal.

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Cássio Zanatta

Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (12)

Published

1 ano ago

on

14/09/2021

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Redação

Eram os etruscos emboabas? - The São Paulo Times (13)

Dormindo num hotel em Maceió, onde fora participar de uma palestra, sou acordado no meio da noite por uma voz (estou sozinho no quarto). A evocação de um deus, um anjo, uma musa insone, um demônio, sei lá. Sei que a voz me disse alto e claro (a ponto de me despertar):

Eu quero a estrela da manhã

Onde está a estrela da manhã?

Meus amigos meus inimigos

Procurem a estrela da manhã

Sempre achei que tal voz fosse acompanhada de um eco. Que fosse mais grave, imponente, não a anunciação de um espectro fanho. Acordei meio confuso e confuso fiquei o resto da vida. De onde veio? Teria sido a televisão no quarto ao lado? Ou o fantasma do poeta, que veio planando sorridente desde o Recife? Fui até a janela, abri as cortinas e, de fato, não havia mesmo a estrela da manhã. Aliás, não havia manhã: era noite cerrada. Também não havia o mar, o hotel ficava a três quadras da praia. Havia apenas o sopro do mar, o ruído distante e ritmado das ondas, e nada de lua.

Foi no tempo em que os celulares eram raros, mesmo os computadores não eram onipresentes. O hotel só dispunha de um, ficava na recepção. Pois eis que o maluco saiu do quarto de camiseta velha, short de pijama e descalço, desceu de elevador, ligou o bichão e foi procurar o poema para lembrá-lo inteiro, em sua força e perfeição, não na construção mal-ajambrada de um sujeito acordado no meio da noite.

Voltei ao quarto, recitando cada verso dentro de mim (agora sim, havia o eco). Era de se esperar que eu ficasse o resto da noite acordado, encafifado, mas não foi assim: dormi feito uma pedra (no meio do caminho?).

No café, a estrela da manhã não estava – e olha que havia tapioca com coco ralado. Talvez o vento um pouco frio a tenha espantado. No banho, entre o ralo e a espuma, também não apareceu. Tampouco na caminhada no calçadão. Mas nunca mais desisti: convocação de poeta não se deixa barato.

Foi milagre, anunciação, alumbramento? Como se explica?

Isso já faz uma boa leva de anos. Enfim, continuo na busca da danada, só de butuca fingindo não estar. Já procurei em outras terras, no lusco-fusco, tateei no escuro do cinema, até em viagens noturnas de ônibus busquei, espiando pela janela. Vi vaga-lumes e as estrelas de sempre, algumas falsas, pouquíssimas cadentes, e muitas escondidas atrás das nuvens.

Um dia hei de levar a resposta ao poeta, como não? Imagino que ele vá gostar de saber que um doido manso levou a vida atrás do mistério, e enfim a encontrou. Não como a girafa de duas cabeças, nem lambuzada na cama de um sargento. Mas no lugar mais improvável, santo e árido, com uma pequena montanha para ela dormir atrás. O poeta abrirá seu sorriso de dentes desconexos, depois irá tossir um pouco (mais por costume), e ficará bem do satisfeito.

A estrela da manhã. Jamais me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão… mas isso é outro poema, fiquemos por aqui.

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Author: Maia Crooks Jr

Last Updated: 03/08/2023

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